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Ensino Doméstico em Portugal

Situações específicas

Regressar à escola depois do ensino doméstico

Como um aluno em ensino doméstico regressa à escola, no fim do ano ou a meio, em que ano de escolaridade entra e que documentos guardar.

Revisto em 26 de setembro de 20264 min de leitura

Em resumo

  • O regresso à escola obedece às regras de matrícula normais dessa oferta (artigo 20.º do DL 70/2021).
  • O processo individual do aluno, com o protocolo e eventuais relatórios das ModA, acompanha o aluno.
  • A lei não prevê nenhuma prova de entrada para quem regressa. A prática das escolas varia.
  • Guarde cópias do protocolo, dos portefólios, das apreciações do professor-tutor e dos resultados das provas.

O ensino doméstico não tem de ser para sempre. Há famílias que alternam entre casa e escola: a imprensa descreve crianças que estiveram anos em ensino doméstico e depois entraram na escola no 5.º ou no 8.º ano.6. Ir à escola dentro de casa. Há mais de 600 crianças em ensino doméstico em Portugal (16 de outubro de 2023)Diário de Notícias Um novo professor, uma mudança de casa, a vontade da própria criança ou a aproximação do secundário podem ser boas razões. Este guia explica como funciona o regresso e o que guardar para que corra bem.

O que diz a lei

O DL 70/2021 é breve neste ponto. A passagem do ensino doméstico ou individual para a escola "obedece às regras de matrícula" da respetiva oferta.1. Decreto-Lei n.º 70/2021, de 3 de agostoDiário da República Ou seja, não há um procedimento próprio: o aluno matricula-se como qualquer outro.

Há mais três regras a ter em conta:

  • O processo acompanha o aluno. A escola mantém o processo individual do aluno durante o ensino doméstico, e esse processo acompanha-o quando muda de escola.1 Inclui o protocolo de colaboração, os relatórios individuais das ModA, quando existam, e outros documentos relevantes.1
  • O protocolo cessa. A minuta de protocolo do ministério prevê a cessação antecipada quando o aluno passa para o ensino presencial, muda de escola ou vai viver para o estrangeiro.4. Protocolo de colaboração no âmbito do ensino individual e do ensino doméstico: nota explicativa e minuta (DGEstE, agosto de 2021)DGEstE (cópia alojada no blogue Arlindovsky)
  • Não há prova de entrada. A lei não prevê nenhuma prova de entrada para quem regressa do ensino doméstico.1 A escola pode, ainda assim, querer conhecer o aluno, e a prática varia.

Em que ano entra o aluno

Nos anos sem provas de fim de ciclo (por exemplo 2.º, 3.º, 5.º, 7.º ou 8.º ano), não há uma decisão formal de transição para o aluno em ensino doméstico; o progresso é acompanhado através do portefólio.1 Na prática, o aluno continua normalmente na sequência dos anos em que esteve matriculado. Os textos analisados não fixam uma regra específica, por isso confirme com a escola antes da mudança.

No fim de um ciclo (4.º, 6.º ou 9.º ano), decide o resultado das provas. O aluno aprovado passa ao ciclo seguinte. O aluno que continue não aprovado depois da 2.ª fase permanece no ano terminal do ciclo.5. Portaria n.º 223-A/2018 (versão consolidada)Diário da República (cópia alojada pela Casa Pia de Lisboa)1 As regras de aprovação estão no guia Provas e exames.

Regressar no fim do ano letivo

É o caminho mais simples. Use os prazos normais de matrícula e de renovação. Para 2026/27 foram estes:2. Despacho n.º 4472-A/2026, de 6 de abril (matrículas 2026/27)Diário da República3. Despacho n.º 8885-A/2026, de 14 de julho (alteração ao Despacho n.º 4472-A/2026)Diário da República (cópia alojada pelo Agrupamento de Escolas de Moimenta da Beira)

Anos de escolaridadePrazo para 2026/27
1.º ano22 de abril a 1 de junho de 2026
6.º, 7.º, 8.º, 9.º e 11.º ano16 a 29 de junho de 2026
2.º, 3.º, 4.º e 5.º ano1 a 13 de julho de 2026
10.º e 12.º ano15 a 24 de julho de 2026

O calendário de 2027/28 ainda não estava publicado à data deste guia; é normalmente fixado na primavera. Consulte o calendário a partir de abril.

Informe a escola de matrícula, por escrito, de que o aluno não continuará em ensino doméstico no ano seguinte e pergunte o que precisa de entregar. Se o aluno mudar também de escola, o processo individual segue com ele para a nova escola.1

Regressar a meio do ano letivo

A lei permite a passagem para o ensino doméstico no decurso do ano, e o regresso à escola segue as regras gerais de matrícula.1 O DL 70/2021 não fixa um prazo especial para o regresso a meio do ano. Na prática, a família pede vaga à escola, que analisa cada caso em função das vagas e da altura do ano.

Se o aluno estiver num ano com provas de fim de ciclo, pergunte cedo como será avaliado depois da mudança, para evitar surpresas em junho.

Documentos a guardar

A escola guarda o processo oficial, mas convém a família ter as suas próprias cópias. Ajudam os novos professores a perceber o percurso do aluno e protegem a família se algo se perder.

DocumentoPorque guardar
Requerimento e decisão da escolaMostra quando começou o ensino doméstico e com que fundamento
Protocolo assinado e alteraçõesRegista o que foi acordado em cada ano
Portefólios, com autoavaliações e a apreciação do responsável educativoEvidência do que o aluno aprendeu
Apreciações síntese do professor-tutorA posição escrita da escola após cada reunião de portefólio1
Relatórios individuais das ModAInformação de diagnóstico para os novos professores1
Resultados das provas, pautas e certificadosProva de cada ciclo concluído
Documentos sobre medidas de suporte e relatórios médicos ou psicológicosContinuidade do apoio no âmbito da educação inclusiva
Correspondência com a escolaRegisto do que foi pedido e respondido

Se o ensino doméstico terminar por um problema

Se a escola cancelar o ensino doméstico, após dois anos consecutivos de não aprovação no final de um ciclo ou por incumprimento do protocolo, o aluno passa para o ensino presencial com efeitos a partir do décimo dia útil seguinte à notificação.1 É um caminho diferente, e mais rápido, do que o regresso voluntário. Ver Quando algo corre mal.

A adaptação à escola

  • Partilhar o portefólio. Um pequeno resumo do que o aluno fez e de que gostou ajuda o professor titular ou o diretor de turma a começar bem.
  • Falar das lacunas com franqueza. Se algumas partes do currículo foram tratadas com menos profundidade, diga-o. O professor pode planear apoio.
  • Perguntar pelo apoio. Se o aluno tinha medidas de suporte, pergunte como vão continuar na escola.
  • Dar tempo. Horários, turma e trabalhos de casa exigem adaptação, das crianças e dos pais.

Voltar mais tarde ao ensino doméstico

O regresso à escola não é uma decisão definitiva. A família pode voltar a pedir o ensino doméstico mais tarde, incluindo a meio do ano letivo, seguindo o mesmo procedimento da primeira vez.1 Ver Como começar.

Fontes

  1. 1.Decreto-Lei n.º 70/2021, de 3 de agostoDiário da República · Texto oficial
  2. 2.Despacho n.º 4472-A/2026, de 6 de abril (matrículas 2026/27)Diário da República · Texto oficial
  3. 3.Despacho n.º 8885-A/2026, de 14 de julho (alteração ao Despacho n.º 4472-A/2026)Diário da República (cópia alojada pelo Agrupamento de Escolas de Moimenta da Beira) · Texto oficial
  4. 4.Protocolo de colaboração no âmbito do ensino individual e do ensino doméstico: nota explicativa e minuta (DGEstE, agosto de 2021)DGEstE (cópia alojada no blogue Arlindovsky) · Texto oficial
  5. 5.Portaria n.º 223-A/2018 (versão consolidada)Diário da República (cópia alojada pela Casa Pia de Lisboa) · Texto oficial
  6. 6.Ir à escola dentro de casa. Há mais de 600 crianças em ensino doméstico em Portugal (16 de outubro de 2023)Diário de Notícias · Outra fonte